Crítica: Após 16 anos, público do “BBB” finalmente amadureceu, abandonou os ‘bonzinhos’ e consagrou ‘vilões’

Durante muitos anos, o “Big Brother Brasil” foi encarado pelo público – e até mesmo pela direção – como se fosse uma novela. A persistência de transformar o elenco em personagens maniqueístas consagrou, em sua maioria, os rejeitados, os mais humildes, os ‘coitadinhos’… Pode-se contar nos dedos os campeões que realmente mereciam levar a bolada por sua entrega ao confinamento.

O “BBB 16”, contudo, quebrou diversos paradigmas e mostrou que o público que acompanha o reality da TV Globo finalmente amadureceu. Ou seja, aprendeu que o programa não tem a função de ser uma espécie de “Porta da Esperança” e que seus participantes não necessitam ser exemplos de perfeição.

Nesta temporada, os telespectadores souberam reconhecer os falsos moralistas que entraram com o batido discurso de “pessoa-do-coração-bom” para justificar jogadas sujas. Também ficou claro que não basta mais formar um casal para ter força no jogo. E deram vez aos barraqueiros, aos descontrolados, aos jogadores enigmáticos.

Essa virada na atração, após 16 edições, promete dar novo fôlego ao projeto. Daqui em diante, os futuros brothers entrarão menos montados e mais entregues. Visto que todo aquele estereótipo consagrado por Grazi Massafera – na quinta edição-, de certa forma, caiu por terra.

A passagem de Ana Paula Renault marca uma nova fase no programa. É bem verdade que essa mudança já vinha se apresentando há algumas temporadas. Contudo, faltava um participante com o carisma de nomes como Kléber Bambam (“BBB 1”), Dhomini (“BBB 3”), Jean Willys (“BBB 5”), Diego Alemão (“BBB 7”), Priscila Pires (“BBB 9”), Marcelo Dourado (“BBB 10”), e a própria Grazi para conseguir enterrar de vez a enfadonha história do bem contra o mal.

Ana Paula tinha esses ‘ingredientes’ fundamentais para se vencer um “BBB”: carisma e autenticidade. Expulsa da atração, moveu uma torcida apaixonada, que ditou o rumo do jogo e fez de Munik, uma jovem de 19 anos, favorita ao prêmio.

Pequi é forte, determinada, bem resolvida, cheia de amor próprio e… linda. A história do reality prova que mulheres bonitas não têm vez quando o assunto é o prêmio do projeto.

Até aqui apenas homens fortes saíram vitoriosos da casa mais vigiada do Brasil. As cinco mulheres que deixaram o confinamento milionárias, representavam uma causa. Cida (“BBB 4”) e Mara (“BBB 6”) ganharam por causa de sua origem humilde. Maria (“BBB 11”) e Fernanda (“BBB 13”) venceram por terem sido rejeitadas por seus pares. Por fim, Vanessa (“BBB 14”) foi coroada pelo público LGBT com forte força na web.

Se o favoritismo de Munik se comprovar nesta terça-feira (5), o público mostrará de vez que, finalmente, entendeu o conceito de um reality e o “BBB 16” entrará de vez para a galeria de edições antológicas e aquela habitual espiadinha terá vida longa.




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