Felipe Hintze defende minorias na TV: "Representatividade"

Ator de "Malhação" falou sobre preconceito, machismo e muito mais ao Famosidades

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Moqueca (Felipe Hintze) em "Malhação"
Fonte: Divulgação/TV Globo

Ator interpreta vilão em "Malhação - Viva a Diferença"

No ar como o vilão Moqueca de "Malhação - Viva a Diferença", na TV Globo, Felipe Hintze não veio ao mundo da dramaturgia a passeio. O artista, que ficou conhecido pelo grande público por seu trabalho em "Verdades Secretas" (2015), aposta que seu trabalho como ator pode influenciar na forma como as pessoas lidam com as diferenças. 

"Acredito que temos que ter mais minorias sendo representadas. Representatividade importa muito. Quero ver mais discussões sobre gênero, etnia, diversidade sexual. Eu sei que estamos caminhando para isso, mas ainda precisamos evoluir mais", afirmou ao Famosidades.

Um dos poucos gordinhos da teledramaturgia, o famoso ainda garantiu que nunca sofreu nenhum tipo de bullying por estar acima do peso, porém fez um alerta: "Infelizmente, preconceito existe e uma forma de combater isso é abordando temas assim na dramaturgia".

Hintze ainda falou sobre seu atual papel na trama teen, a experiência de atuar com Cecilia Roth, e revelou em qual reality show gostaria de participar. Confira a entrevista completa a seguir!

FAMOSIDADES - Vamos começar falando um pouco sobre o Moqueca. Já deu para perceber que ele é uma espécie de ‘advogado do diabo’ do Anderson [Juan Paiva], né? Faz de tudo para levar vantagem e dá conselhos nada amigáveis ao rapaz. Qual foi sua preparação para o personagem?

FELIPE HINTZE - Exatamente! Ele tem um caráter bem duvidoso, tem uma postura machista e tenta o tempo todo fazer com que o Anderson faça umas entregas suspeitas. Eu fiz um trabalho de imersão na Galeria do Rock, em São Paulo, em busca da personagem. No início da trama, ele trabalhava em
uma loja de música lá na galeria, então eu busquei vivenciar essa experiência. Escuto muito rap nacional e vi muitos filmes sobre a periferia de São Paulo. Estudei o sotaque e o dialeto específico. Eles têm uma forma de falar bem única.

Será que até o final da temporada o Moqueca vai tomar jeito?

Espero que ele sofra as consequências dos seus atos. O que ele faz é ilegal, no mínimo ele tinha que ser preso. Torço para o Moqueca se dar mal.

Você já teve de lidar com alguém na vida real que fosse parecido com ele?

Não! Tive essa sorte. Mas já me deparei com muita gente machista.

Houve alguma situação que te deixou mais incomodado a ponto de rebater?

Uma vez um namorado de uma conhecida minha disse que ela não podia usar biquíni muito pequeno na praia e eu rebati repreendendo a atitude dele. Cada um tem direito de vestir o que quiser, onde quiser.

O trabalho em “Verdades Secretas”, de fato, foi um divisor de águas na sua carreira. A que você deve esse sucesso?

"Verdades" foi um encontro certeiro. Tínhamos um texto fantástico com uma trama envolvente, uma direção primorosa e autoral, um elenco
bem escalado, uma equipe unida. Foi um marco. Tenho muito orgulho de ter feito parte.

Para o papel na trama de Walcyr Carrasco você aprendeu a fazer hambúrguer, certo? Além desta iguaria, você se arrisca na cozinha preparando outros pratos?

Aprendi! Trabalhei duas semanas em uma hamburgueria, adquiri muita prática na chapa. Eu adoro cozinhar. Eu adoro fazer um jantarzinho caseiro para a namorada ou para a família. Aprendi a fazer risotos, faço um de queijo brie fantástico. Adoro fazer macarrão de abobrinha também. Vou inventando na cozinha!

Você tem namorada? Como se conheceram?

Eu e a Talita nos conhecemos há muito tempo, mas estamos namorando há um ano. Ela é atriz também e nos conhecemos no teatro. Ela não cozinha nada, então eu sempre cozinho para nós dois!

Sabe que programas de culinária na TV e na internet viraram uma febre nos últimos tempos, né? Gostaria de se aventurar no ramo?

Adoraria participar desses programas, tipo o "SuperChef Celebridades", da Ana Maria Braga, mas confesso que sou um pouco estabanado. Preciso aprender a me organizar melhor na cozinha, sempre que eu me aventuro eu me arrependo da bagunça que faço!

Como foi a experiência de atuar com Cecilia Roth, em “Supermax”? Ser o único ator brasileiro – além de Laura Neiva – na produção argentina foi responsa, hein?

Uma das experiências mais desafiantes que eu tive na carreira. Atuar em outra língua ao lado de uma das divas do Almodóvar, uma atriz super premiada foi uma grande responsabilidade. Mas todos foram bem generosos e o resultado ficou incrível. Em setembro vai estrear na Espanha e estamos ansiosos com a repercussão.

Você já fez papel cômico na TV, como em “Vade Retro”, atuou na série “Dupla Identidade”, fez parte de uma novela das 23h premiada internacionalmente e agora trabalha com o público jovem. Tem algum gênero da dramaturgia que você ainda não desbravou?

A comédia! Em 'Vade Retro' foi só uma pequena participação, eu tenho muita vontade de fazer algo cômico. Amo esse gênero e tenho certeza que vou me divertir muito fazendo. Eu sou fã do "Tá No Ar: A TV na TV" , amo tudo o que a Tatá Werneck faz, assistia muito "Toma Lá da Cá" e sou fã da peça "Cócegas", da Heloisa Perisse e Ingrid Guimarães.



E quanto aos seus ídolos? Com quem você deseja trabalhar no futuro?

Tenho tantos ídolos! Gostaria de trabalhar com tanta gente. Gosto muito do trabalho do Wagner Moura, Selton Melo e, claro, Fernanda Montenegro. Na televisão eu adoraria fazer uma das novelas do Aguinaldo Silva, sou fã do trabalho dele, e também gostaria de me aventurar em séries como Justiça, da Manuela Dias.

Nas últimas entrevistas que concedeu à imprensa você foi muito questionado por sua forma física – principalmente pelo fato de ter emagrecido nos últimos meses. Por que acha que essa abordagem acontece?

A mídia tem curiosidade com esse tipo de coisa. Essa escolha foi por conta da peça que eu estou em cartaz, 'Senhor das Moscas', no Teatro Popular do Sesi. É uma peça musicada: tenho que cantar, atuar e dançar ao mesmo tempo e demanda um bom condicionamento físico.

Você já sofreu algum tipo de preconceito por estar acima do peso?

Nunca sofri. A personagem que eu faço na peça sofre muito bullying por ser gordinho. Infelizmente preconceito existe e uma forma de combater isso é abordando temas assim na dramaturgia.

O que ainda é necessário ser discutido na sociedade para que o assunto deixe de ser algo tão comentado e ‘surpreendente’?

Acredito que temos que ter mais minorias sendo representadas. Representatividade importa muito. Eu não acredito que quanto mais abordado os temas ficam desgastados, por que é raro vermos minorias tomando papéis centrais. Quero ver mais discussões sobre gênero, etnia, diversidade sexual. Eu sei que estamos caminhando para isso, mas ainda precisamos evoluir mais.