Lembra do "Papo de Jacaré"? Saiba por onde anda o P.O.Box

Carlinhos Santos, vocalista da banda, conversou com o Famosidades

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P.O.Box
Fonte: Divulgação
Trio se separou, mas continua mantendo contato

Os fãs da música pop brasileira nos anos 2000 devem se lembrar de um dos hits mais tocados nas rádios naquela época. "Papo de Jacaré", da banda P.O.Box, embalou festinhas de adolescentes e fez muito marmanjo perder a compostura nas pistas de dança. Após 16 anos do estouro no ramo musical, Carlinhos Santos, Ocione e Jairo Reis continuam vivendo de arte, porém, de um jeito diferente. 

Após perderem espaço na mídia, os músicos encerraram a banda e seguiram com projetos paralelos. 

"Oficialmente, encerramos em 2003. Mas, entre 2005 e 2010, mantive sempre ativas as informações e, juntamente com Jairo e Ocione, chegamos a gravar algumas coisas, sem lançar no mercado, mas direcionado exclusivamente aos fãs da banda", contou Carlinhos em entrevista exclusiva do Famosidades.

Contudo, os artistas ainda são lembrados pelo sucesso que fizeram no passado: "Não tem jeito. [Nos shows] Sempre me pedem [para cantar 'Papo de Jacaré'] e eu canto, claro! Lido com isso com muita alegria", afirmou. 

Sobre os frutos que a música lhe rendeu, o artista revelou: "Foi o suficiente para mudarmos de vida para bem melhor".

Quer saber Por Onde Anda os integrantes da banda P.O.Box? Confira a entrevista completa a seguir!
 

FAMOSIDADES - Por onde andam os demais integrantes da banda P.O. Box? Você mantém contato com todos eles?

CARLINHOS SANTOS - Continuamos amigos. Ocione Reis, o contrabaixista, é meu compadre e trabalha comigo em shows. Já o Jairo Reis, guitarrista, tem seu próprio estúdio e atualmente desenvolve um consagrado projeto instrumental com o violinista Marcos Biancardinni, com apresentações no Brasil e no exterior.

A banda não existe mais ou foi aperfeiçoada?

Não existe. Oficialmente, encerramos em 2003. Mas, entre 2005 e 2010, mantive sempre ativas as informações e, juntamente com Jairo e Ocione, chegamos a gravar algumas coisas, sem lançar no mercado, mas direcionado exclusivamente aos fãs da banda. E ainda mantenho a página da banda P.O. BOX no Facebook.

Soube que os frequentadores mais assíduos de seus shows não te deixam sair do palco sem cantar o sucesso “Papo de Jacaré”, é isso mesmo? Como você lida com esse carinho do público até hoje?

Não tem jeito mesmo. Pode ser em show de rock, MBP... Sempre me pedem. E eu canto, claro! Tanto é que está no setlist. E lido com isso com muita alegria. Sempre fui muito atencioso com fãs, imprensa. Afinal, lá atrás, ainda no comecinho da carreira, tudo que queria era essa atenção. Então, só posso agradecer esse carinho e seguir sempre com o público. Uma vez, estava em uma cidade do interior de São Paulo e, após uma viagem cansativa, fui descansar. Já estava dormindo pesado quando começou uma gritaria na porta do hotel. Eu acordei e fui [até eles]. Sabe o que aconteceu? Uma senhora já bem idosa se aproximou e me disse: “Eu não vou assistir o senhor hoje, não. Eu vim aqui só para dizer que sempre que eu vejo o senhor na televisão eu faço uma oração para Deus te proteger, viu?”. Nossa! Me emocionei muito.

Quais foram as inspirações para compor “Papo de Jacaré”?

Na verdade, eu compunha sempre com um amigo que me deu essa letra pedindo para eu fazer uma melodia parecida com uma música de sucesso, na época. Levei a letra para casa, mas de cara decidi que não faria nada parecido com outra música. Não acho certo. Aí, fui mexendo na letra, tirei alguma coisa que não passava uma mensagem positiva, tipo “Fugi da Escola”, “Sou Terceiro Mundo” e criei aquela melodia. Aí, mostrei para ele. Ele não gostou, pois esperava outra coisa. Disse, então, que gravaria para a minha banda. Ele concordou. Fui para o estúdio, criei aquelas batidas, pus aqueles diálogos com a “professorinha” e deu no que deu.

Pelo que pude analisar nas redes sociais, boa parte do público que curte o maior sucesso do grupo P.O. Box remete a música a momentos bons da infância. Como você lidava com o assédio do público infantil na época?

Sempre com muita alegria. Sempre gostei demais de crianças. Tanto que tive cinco maravilhosos filhos, que me deram cinco maravilhosos netos, que me curtem maravilhosamente [risos]. Mas eu sempre me preocupei em passar uma boa imagem para as crianças. Éramos muito queridos por elas. Aconteceu até de, por várias vezes, a produção local solicitar ao Juizado de Menores a entrada de menores em nossos shows pelo tanto que nos curtiam. Assim, evitei passar coisas negativas para elas. O artista tem que pensar nisso. Afinal, as pessoas que nos admiram tendem a seguir o que a gente faz, fala.

A ideia inicial da música era atingir um determinado público-alvo ou entrar como música popular?

Não. Na verdade, queríamos e precisávamos mesmo era sobreviver de música. Eu sempre gostei de rock, MPB. Aliás, esse era o gosto da banda toda. Mas seria complicado fazer um disco de rock, ainda mais em Goiás, terra do sertanejo. Aí, com a experiência longa de mais de 20 anos de baile, compus aquelas canções, sempre com uma ou outra pitada de rock em alguma coisa. E foi um sucesso, desde o primeiro disco independente até o último pela gravadora.

Você já teve que engolir muito ‘papo de jacaré’?

Bom, já ouvi um bocado e passei muitos “papos” [risos].

Já chegou a ser ‘rotulado’ como artista de apenas um sucesso?

Demais. Sempre tem alguma coisa assim. Mas isso de quem não conhece a história da banda, não asistiu a nenhum show para ver as pessoas cantando todas as músicas. Isso também se deve ao fato de que, para algumas pessoas, sucesso se traduz em exposição na mídia.

Passou por algum período difícil na carreira, algum tipo de rejeição, após a banda P.O. Box deixar as paradas de sucesso?

Claro. As pessoas julgam muito pela superexposição, o sucesso momentâneo. E no segmento da música dita popular, as pessoas curtem mesmo o sucesso do artista, nem tanto o artista em si. Basta sumir da mídia que esquecem logo. E também tem sempre gente nova surgindo. É normal. Mas os verdadeiros fãs, esses sempre nos mantêm. Também tem muita gente que não entende ou não aceita que tenhamos decidido parar quando estávamos no auge. Mas paramos porque quisemos.

Se puder contar para a gente, quanto você faturou com a música na época em que estourou nas paradas de sucesso?

Não era igual hoje, com cachês milionários de artistas sertanejos ou outras celebridades rápidas e momentâneas. Mas posso dizer que foi suficiente para mudarmos de vida para bem melhor. Saímos de uma vida muito modesta em termos materiais para construirmos um patrimônio essencial para seguirmos bem. Ralando, mas seguindo [risos].

Atualmente, a canção ainda lhe rende alguma quantia?

Sim. Toca todos os dias no Brasil e mesmo em outros países, onde têm brasileiros. Já fizeram até uma pesquisa informal e chegaram à conclusão que, junto com "Ai, Se Eu Te Pego", "Papo de Jacaré" é a música mais lembrada pelos brasileiros no exterior. Toca muito em rádios, festas, artistas cantam sempre em shows... E isso acaba rendendo direitos autorais.

Quando não está envolvido com a música, o que você faz?

Quase todo tempo é música mesmo. Mas busco conciliar com as coisas que realmente gosto. Leio, me dedico a escrever - estou terminando um livro chamado "Crônicas, Música e Poesia" -, busco sempre conviver com meus filhos e familiares, faço palestras em instituições religiosas - sou cristão e professo a doutrina espírita -, participo de um grupo que presta serviços de caridade... Só não aceito ficar ocioso [risos].

Você está à frente do projeto “Canções que Ouvimos e Gostamos de Cantar”, certo? Quais músicas não podem faltar neste setlist?

A primeira edição do projeto trouxe as canções dos anos 1970. Em um universo de tantas e maravilhosas canções, basta começar a tocar que a emoção logo flui, as pessoas se emocionam mesmo. Mas posso dizer que "I´d Love You To Want Me", "It´s a Heartache", "I Started a Joke", "Sha La La La I Need You" e "You Needed Me" estão entre as que nunca faltam no setlist.

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