Primeira trans de “Malhação” pede: “Quero outras como eu”

Aos 24 anos, Gabriela Loran foi escolhida a primeira transexual a entrar para o elenco de “Malhação – Vidas Brasileiras”, a trama teen da Globo. Engajada na causa, a jovem quer que outras mulheres do gênero sejam destaque na TV.

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“Quero também poder contracenar com outras meninas como eu”, afirmou em entrevista ao FAMOSIDADES.

Além do trabalho nas telinhas, a beldade gosta de se manter ativa nas redes sociais e possui um canal no YouTube. Nele, debate temas sobre sexualidade, preconceito e astrologia com os seguidores. “O canal no YouTube é minha válvula de escape. É onde eu falo com as pessoas, é onde me escutam, é onde posso ser eu mesma, é onde bato meu pé, exponho minha opinião e é onde posso dar voz às pessoas como eu”, destacou.

Na novelinha, a famosa viveu a professora de dança Priscila. Inclusive, acerca do núcleo, surgiram algumas questões a respeito de identidade de gênero e recriminação para serem debatidos na história.

Apesar de ter estreado há pouco tempo na televisão, Gabi já tem recebido outras propostas de trabalho. Ao que tudo indica, a artista em breve mostrará ao público todo o aprendizado adquirido no curso de Artes Cênicas, que concluiu no Rio de Janeiro.

Confira a seguir a íntegra da entrevista!

FAMOSIDADES – Como é para você, sendo tão jovem [a atriz tem 24 anos], ter sido escolhida a primeira transexual a participar de Malhação?

GABRIELA LORAN – Olha, para mim é muito gratificante, muito legal. Apesar de ter esperado 25 anos [tempo em que a trama teen está no ar] para poder ter uma personagem trans na “Malhação”, sendo eu a escolhida, fico muito feliz. Mas não quero ser a única. Quero também poder contracenar com outras meninas como eu.

Você sempre teve interesse na vida artística? 

Eu acredito muito em astrologia e meu mapa astral diz que sou uma pessoa muito artística. Desde sempre, que eu me lembro, tenho a imaginação muito fértil de brincar que sou animais, que sou pessoas e imitar outros personagens e corpos. Então, essa veia artística sempre foi muito forte em mim. Eu também sempre fui muito da comédia, da comicidade, e isso me ajudou muito também. São coisas e referências que lembro desde criança.

Existem outras propostas para continuar na televisão?

Existem, sim… Existem!

Você acha que, por ser transexual, alguma emissora deixaria de te contratar?

Sem dúvidas! Nós sabemos que existem emissoras que são bem rigorosas a respeito desses temas e não abordam mesmo. Por mais que a gente bata o pé, existem aquelas que não falam sobre esse tipo de tema.

Como você vê a representatividade de transexuais em novelas?

Assim, eu vejo que algumas só são selecionadas e fazem os mesmos trabalhos. Então, é preciso que tenham mais. É preciso que a gente veja mais. Quando a gente vê, a gente sabe que existe. Quando a gente tem noção que existe, a ignorância e o preconceito são quebrados. Acho interessante. Vejo que tem [representatividade], mas é preciso que haja mais. Existem muitas e muito talentosas, o que falta mesmo é oportunidade para essas mulheres.

Quais são suas referências artísticas?

Laverne Cox, Wallace Ruy, Jorge Lafond, Nany People, Elza Soares…

Você já sofreu algum tipo de preconceito no teatro?

Já passei, sim, sem dúvidas. O preconceito vem de diversas formas. Se você não estiver ligada, você não percebe. Por exemplo, recentemente, eu ia fazer uma personagem que seria cisgênero, porém houve só a cogitação disso. Eu tenho 1 metro e 83 centímetros e para algumas pessoas não existem mulheres desse tamanho. Isso já é um tipo de preconceito. Também por fazerem personagens estereotipadas. Acham que já existe o estereótipo do personagem quando o personagem ainda nem existe. Não existe um personagem assim ou assado, a gente é quem constrói ele.

Como foi o ingresso no elenco de “Malhação”?

Eu recebi a ligação e recebi um convite para fazer o teste. Pronto, passei!

Você mantém um canal no YouTube. Como é seu contato com o público?

O canal no YouTube é minha válvula de escape. É onde eu falo com as pessoas, é onde me escutam, é onde posso ser eu mesma, é onde bato meu pé, exponho minha opinião e é onde posso dar voz às pessoas como eu. O meu contato com o público é maravilhoso. Eu sinto que se eu tenho uma voz tenho que usá-la. Quero usar em prol das pessoas como eu. Obviamente, meu canal não é só para o público transexual. Gosto de expandir para todo os tipos de pessoas que têm dúvidas e querem discernir essas dúvidas. Meu canal está aberto a qualquer tipo de pessoa, apesar do meu público alvo ser o pessoal trans.

Você já sofreu algum ataque virtual? Como faz para lidar com isso?

Eu nunca sofri nenhum tipo de ataque virtual diretamente a mim. Mas, assim que entrei para “Malhação” e todo mundo ficou sabendo, muitos sites questionaram e um deles foi de uma instituição religiosa, onde tentavam me afetar mudando meu gênero, falando de forma grosseira… Mas, enfim, eu prefiro nutrir apenas os comentários positivos. É o que digo, o bom de ter haters é saber que sua mensagem está chegando a lugares que antes não chegavam. Então, acho positivo nesse quesito, que minha mensagem e meus comentários estão chegando fora da minha zona de conforto, fora das minhas amizades.

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