Steve Vai combina sua virtuose com música erudita brasileira no Rio

A virtuose do rock encontrou a música erudita na noite desta sexta-feira, no Rock in Rio. O cultuado guitarrista americano Steve Vai se apresentou ao lado da orquestra Camerata Florianópolis e entregou a complexidade musical que sempre se espera de suas apresentações – praticamente uma sinfonia.

Aos 55 anos, Vai comandou a profusão de sons e transformou o que poderia ser uma combinação caótica em harmonia técnica, com arranjos de primeira, com direito à presença de instrumentos como a harpa, por exemplo. Até o metaleiro mais convencional que compareceu ao Palco Sunset apreciou a performance (ou pelo menos demonstrou respeito por ela).

O convite para levar a Camerata Florianópolis até o Rock in Rio partiu do diretor artístico do festival, Paulo Fellin. A partir daí, o maestro Jefferson Della Rocca recebeu composições enviadas pelo guitarrista americano e passou a estudá-las com os demais integrantes da orquestra. Nas três semanas que antecederam o festival, os ensaios dos músicos brasileiros foram intensos, com duração de até sete horas por dia. Tudo em nome da adaptação ao repertório rebuscado de Vai.

Além de 60 instrumentistas, a Camerata subiu ao Palco Sunset nesta sexta-feira encorpada pela banda Brasil Papaya (dos irmãos guitarristas Eduardo e Renato Pimentel, além do baixista Baba Jr.) e pelo percussionista Rodrigo Gudin Paiva.

“Oi, o que está acontecendo aqui hoje?”, disse Vai ao público, em português, logo que pisou no Palco Sunset. Depois, em inglês, o americano afirmou que a Camerata de Florianópolis era a sua nova banda.

Sem perder tempo, o guitarrista começou a apresentação regendo os músicos brasileiros para executar “Kill The Guy With the Ball”. Em seguida, a orquestra brasileira passou a ocupar o segundo plano para que Vai solasse à vontade em “Racing The World”. Depois, a estrela do abarrotado palco abusou das distorções com “The Murder”.

Adiante, a contagiante “Whispering A Prayer” convidou a multidão a viajar mentalmente. No meio da canção, Vai praticamente usou a guitarra para conversar com o público, mostrando que não há variação sonora que não possa tirar de seu instrumento.

Nos semblantes dos músicos da Camerata estava clara a satisfação de acompanhar a lenda da guitarra. E a orquestra de Florianópolis mostrou empenho em “Taurus Bulba”, escolha mais rock’n’roll do repertório que Vai levou ao Rio.

Com “Liberty”, novamente Vai fez o público relaxar diante do Palco Sunset. Era quase hora do encerramento, e a apresentação de dez músicas chegou ao fim com a clássica “For The Love Of God”, em que a introdução pela harpa da Camerata precedeu a última brincadeira do americano com seu instrumento. E aí valeu tocar até de língua para impressionar.




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