David Junior desabafa: “Pensam que o homem negro não pode falhar no sexo”


© Divulgação/TV Globo


Prestes a estrear em “Liberdade, Liberdade” – nova trama das 23h da TV Globo -, David Junior fará um papel polêmico na telinha. Pela primeira vez, o abuso sexual contra homens durante a escravidão no Brasil será debatido – e o rapaz estará no centro desse tema. No folhetim, Saviano – seu personagem – é propriedade de Dionísia (Maitê Proença), que se considera uma senhora de respeito, mas gosta de assediar o empregado.

O moço cumpre as ordens da patroa. No entanto, é caidinho mesmo por Luanda (Heloísa Jorge), com quem também se envolve às escondidas. Após descobrir o relacionamento, Dionísia, revoltada, decidirá punir os dois.

Para o papel, o artista eliminou 9kg. O fato, é claro, fez com que o assédio aumentasse. Sobre o assunto, o bontião revelou: “Muitos olham e pensam: ‘É negão. Como deve ser na cama?'”.

Confira a íntegra do papo com David Junior a seguir!

Como foi a experiência de ser escravo sexual da Maitê Proença ?

Essa é a pergunta que todo mundo faz [risos]. Pensa por outro lado, pensa em uma pessoa ter um escravo sexual. É maravilhoso, não é? [risos]. Só que no caso do Saviano, já é um pouco complicado. Estamos contando uma outra vertente da história do Brasil, da história dos negros. Não estou tirando toda a dificuldade que as escravas passavam, mas isso acontecia com os escravos homens também.

Saviano não gosta? Ele se sente forçado a transar com a patroa?

Era um abuso sexual. Inicialmente, ele não quer, não gosta, mas vai ter o prazer na mão, esse poder. Naquele momento, ele é superior a ela. Só que na pele do Saviano isso tem um certo peso, porque ele é apaixonado por uma escrava, a Luana.

Existe um certo fetiche com o homem negro. Não tem receio de ser notado apenas como um símbolo sexual?

Acho que existe essa visão, sim, mas depende da maneira que o negro se coloca. Estamos mudando muito esse pensamento. Hoje não se vê mais o negro andando de cabeça baixa, sendo submisso a tudo. A gente está buscando o nosso espaço. Não quero ser visto só como um símbolo sexual e acho que, como ator, posso mostrar mais do que isso.

E esse fetiche em relação ao homem negro ainda é muito forte?

Sim. Na cabeça de muita gente tem isso. É negão, tipifica sexo bom. É negão, tipifica um… (faz um gesto com as mãos que simboliza tamanho grande). Bem, já sabe, não é [risos]. Só que também acho que isso está caindo e já se enxerga o negro como mais do que isso.

E com isso, a exigência de um desempenho sexual satisfatório também é maior?

Sim. Parece que a gente não pode falhar e tem que ser sempre gigante. Isso não tem nada a ver. Tem negro que não sabe sambar, e aí? Acho que é por isso mesmo que a gente tem que mostrar algo a mais, tem que mostrar outras possibilidades que não sejam somente a de símbolo sexual.

E você, já foi assediado sexualmente de uma maneira direta?

Sim, a gente vê ainda muito disso no cotidiano. Olham e pensam assim: ‘Nossa, é negão. Como ele deve ser na cama?’. Sempre escutamos essa conversinha, tanto de homens quanto de mulheres, porque agora é tudo igual, todo mundo canta. Só que eu me coloco muito bem, sou um cara casado, uso esse bambolê aqui no dedo (aponta para a aliança), não deixo as coisas passarem do ponto.

E como foi protagonizar cenas quentes com a Maitê, que sempre foi considerada um símbolo sexual?

Foi uma responsabilidade grande [risos], mas ela me deixou muito à vontade. Ela foi uma querida nesse ponto. Para mim, ela é um símbolo sexual até hoje, uma mulher linda.



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