Entrevista: Alinne Prado nega lista de revezamento no “Vídeo Show”: “Não sei dessa escala”


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Alinne Prado cravou seu nome na história do “Vídeo Show”. A jornalista, de 33 anos, se tornou a primeira negra a ocupar lugar na bancada do programa de mais de três décadas de existência. Como tudo em sua vida, o convite para entrar para o time de apresentadores do vespertino aconteceu por acaso.

“Nunca imaginei estar no entretenimento. Eu não esperava de verdade. Para mim, estar no ‘Vídeo Show’ já é um presente. Estava muito feliz só de fazer matéria na rua. Foi uma guinada de carreira que eu dei. Recebi uma ligação na véspera da minha diretora [dizendo] que eu iria para a bancada”, contou em entrevista exclusiva ao Famosidades.

A comunicadora também negou os boatos de que haja um esquema de revezamento na atração e ressaltou que Otaviano Costa e Maíra Charken são os apresentadores oficiais do projeto. Tanto que recebeu o primeiro convite para ficar na bancada um dia antes da estreia. “Não sei dessa escala de revezamento. Não me informaram nem se eu vou voltar para a bancada. Mas já fiquei muito satisfeita com uma oportunidade que me deram. Não estou criando nenhuma expectativa com relação a isso”, assegurou.

A carioca disse ainda que a atração está passando por um momento de reformulação após a saída de Monica Iozzi, em fevereiro. “Estamos em um período de reconstrução. O ‘Vídeo Show’ é como se fosse uma entidade. Eu acho que o programa tem vida própria. Ele vive uma constante reconstrução. Está no DNA do programa. Tanto que ele está há mais de 35 anos no ar”, analisou.

Amiga pessoal de Iozzi, a repórter lembrou que a equipe do programa sentiu muito a saída da humorista. “Muito! Ninguém queria que ela saísse. O Boninho fez tudo para ela ficar, mas todo mundo compreendeu que ela estava saindo em busca do sonho dela.”

Durante o papo com o Famosidades, Alinne falou sobre carreira, família, racismo, segredos de beleza e explicou como se rendeu à numerologia. Confira a seguir!

FAMOSIDADES – Você foi a última integrante do elenco do “Vídeo Show” a ir para a bancada. Estava ansiosa com esse momento? Ficou surpresa com o convite?

ALINNE PRADO – Nunca imaginei estar no entretenimento, não esperava de verdade. Para mim, estar no “Vídeo Show” já é um presente. Estava muito feliz só de fazer matéria na rua. Foi uma guinada de carreira que eu dei. Depois que eu entrei, parece que eu nasci ali. Estou muito feliz, muito satisfeita. Recebi uma ligação na véspera da minha diretora [dizendo] que eu iria para a bancada. Graças a Deus deu tudo certo.

Rumores dão conta de que o programa adotou uma espécie de revezamento entre o elenco. Existe uma escala fixa na bancada do “Vídeo Show”?

O Otaviano Costa e a Maíra Charken são fixos na bancada. Não sei como o resto do elenco é escalado. Eu fui chamada de véspera. Não sei dessa escala de revezamento. Não me informaram nem se eu vou voltar para a bancada. Mas já fiquei muito satisfeita com uma oportunidade que me deram. Não estou criando nenhuma expectativa com relação a isso.

Como foi a repercussão por seu desempenho na bancada?

Foi uma coisa absurda. No dia seguinte, fui ao teatro. Quando a gente parou no posto de gasolina, o frentista elogiou. No teatro, todo mundo comentou. Não imaginava que fosse ter toda essa repercussão. Assim que o programa saiu do ar, me pediram para olhar as redes sociais. O carinho foi tão grande que acabei até fazendo um Snapchat . Ganhei só no Instagram mais de 5 mil seguidores. Uma coisa louca. Eu não avisei a ninguém que eu ia estar na bancada. Eu não quis falar porque eu estava cobrindo um buraco. E se a direção mudasse de ideia? Só contei para dois grandes amigos, minha assessora, meus pais e para o meu marido, claro.

Há cinco anos, sua vida era completamente diferente. Você não era casada, não tinha filho, cobria política na GloboNews… Esse giro de 180 graus foi programado?

Nenhum passo foi programado. Meu sonho era ser correspondente internacional na Alemanha. Só queria ver o William Bonner me chamar no “Jornal Nacional” e responder “boa noite” de lá.

E como ocorreu a mudança do “Encontro” para o “Vídeo Show”?

Minha licença-maternidade ia terminar junto com meu contrato com o “Encontro”. O programa estava passando por uma reformulação e o contrato não seria renovado. Aí o Boninho me chamou para uma reunião e me convidou para cobrir as férias da Marcela Monteiro no “Vídeo Show”. Era para ficar só 20 dias e estou lá até hoje.

Você entrou para o elenco do “Vídeo Show” bem no comecinho dessa nova fase que foi implantada pela Mônica Iozzi e pelo Otaviano Costa. Como foi a recepção do grupo?

Todos foram muito queridos comigo. Por estar tudo muito no início, foi muito bacana. Nos unimos de uma forma incrível. O Otaviano é um gentleman. Acho ele um dos maiores comunicadores da TV brasileira. É um cara excepcional. A Mônica virou meu fechamento! Adoro ela. Sou fã do trabalho e acho admirável a coragem dela de ir em busca do sonho dela.

Vocês sentiram muito a saída da Mônica Iozzi do “Vídeo Show”?

Muito. Ninguém queria que ela saísse. O Boninho fez tudo para ela ficar, mas todo mundo compreendeu que ela estava saindo em busca do sonho dela.

Passado o luto da saída da Iozzi, você acha que o programa já conseguiu se reencontrar? Como você avalia esse atual momento do programa?

Estamos iniciando mais uma nova fase. Acho que estamos em um período de reconstrução. O “Vídeo Show” é como se fosse uma entidade. Eu acho que o programa tem vida própria. Ele vive uma constante reconstrução. Está no DNA do programa. Tanto que ele está há mais de 35 anos no ar. Não importa quem esteja, não importa quem esteja na bancada, porque ele é maior do que qualquer nome.

Sentiu diferença no assédio após trocar o jornalismo pelo entretenimento?

O que mudou foi que as pessoas aprenderam meu nome. Porque antes elas sabiam que me conheciam, mas me confundiam com todas as pessoas que você possa imaginar. Achavam que eu era repórter da Ana Maria Braga, que eu fazia o “The Voice”, me chamavam de Sheron Menezzes, Taís Araújo… Teve também uma outra mudança curiosa que foi a seguinte: as pessoas que me abordam nas ruas pararam de falar do meu trabalho e agora dizem que me amam. É bem louco isso.

É verdade que você está pensando em fazer um curso de teatro?

Isso é coisa de nerd. Tenho costume de estudar o objeto do meu trabalho. Nunca fui de assistir novela, por exemplo, e agora que estou no “Vídeo Show” quero saber tudo sobre esse universo. Quero entender como é esse processo de criação, essa coisa tão mágica. Ainda não consegui por falta de tempo.

Mas você aceitaria fazer uma novela, por exemplo?

Nada na minha vida é planejado. Hoje, eu não sei te responder isso. Não sei se eu seria capaz. Mas também não posso dizer que não faria. Não descarto nada.

Já parou para pensar em um programa solo? Como seria?

Se for para sonhar, quero sonhar alto. Quero algo no estilo da Oprah Winfrey. Acho que esse seria o meu modelo de programa ideal: contar histórias de pessoas. Não importa se a pessoa é famosa ou anônima. Gostaria de contar essas histórias. Essa é a minha essência. Jamais vou deixar de ser jornalista.

Como você faz para administrar carreira, casamento e filho pequeno?

Por opção, não quis ter babá. Preferi colocá-lo na creche. Quero que meu filho tenha uma vida mais normal possível, que leve vida de criança. E quero também ser muito presente na vida dele. Tenho um marido que é meu amigo, meu parceiro, que me ajuda em casa: cozinha, lava louça… É um companheiro de verdade. Desse jeito, consigo administrar casa e carreira. Nossos pais moram longe da nossa casa, então só temos um ao outro no dia a dia. Um dia eu levo na creche, no outro dia ele leva. A gente vai montando nossos horários assim. Quando a gente precisa sair à noite, por exemplo, pago para a tia da creche tomar conta dele. É uma pessoa que ele já está acostumado. A gente diminuiu muito a nossa vida noturna. Erámos muito boêmios. Mas a gente não deixa de sair e fazer as coisas.

A gravidez do Arthur foi planejada ou foi outra surpresa na sua vida?

Foi uma surpresa. Descobri que estava grávida a quatro dias do meu casamento. Foi uma semana muito louca. Perdi um amigo, que era também pai de uma amiga – que, por sinal, é a madrinha do meu filho. Contei para ela que estava grávida no velório. Foi uma coisa muito louca porque o pai dela estava indo e uma vida estava chegando. No fundo, foi bom porque a ajudou a encontrar forças em um momento tão difícil.

Como foi o processo para perder os 24kg que ganhou durante a gravidez?

O “Vídeo Show” me deu uma força muito grande para emagrecer porque foi no finalzinho da minha licença que o Boninho fez o convite, e eu precisava estar em forma para poder retornar ao trabalho. A amamentação também ajudou muito porque seca. O fato de morar em uma casa de dois andares também ajudou bastante, porque é o tempo todo naquele sobe e desce. Involuntariamente, é uma ginástica. Mas procurei uma nutricionista e fiz uma reeducação alimentar. Não fiz dieta. Minha alimentação não era boa. Para você ter uma ideia, não comia salada. Meu negócio era rabada, essas coisas pesadas. Eu amo comer. Minha mãe é filha de nordestino. Lá em casa era só refeição com sustância, como ela gosta de dizer. Com a reeducação, cortei fritura, substituí farinha branca por farinha integral e cortei o açúcar. Claro que tem o dia da porcaria. Hoje, por exemplo, comi uma panela de brigadeiro. Mas, amanhã, vou malhar, vou fazer um café da manhã mais light. Atualmente, fico nessa alternância: um dia me jogo nas coisas que eu gosto; no outro, eu controlo rigorosamente a alimentação.

Você pensa em engravidar novamente ou isso não está nos seus planos?

Nunca pensei em engravidar. Aconteceu. Depois do Arthur, fiquei apaixonada pela maternidade. É a coisa mais linda do mundo. Olho para ele e fico louca para ter outro filho. Menina ou menino, tanto faz! Mas o mundo está uma coisa muito louca, uma violência muito grande… Isso me assusta. Então, nesse momento, eu e meu marido estamos focando nossas energias para criar um supercidadão.

Seu cabelo virou objeto de desejo das telespectadoras. Qual é o segredo dos seus cachos?

Um anjo chamado Melissa Paladino. Quando trabalhava na Globo News, meu cabelo era muito baixinho porque no jornalismo o cabelo não pode brigar com informação. Tinha que ter um visual discreto. Quando fui trabalhar no “Encontro”, a Fátima Bernardes contratou a Melissa para fazer meu visagismo. A primeira coisa que ela disse foi que eu tinha que botar um black power na cabeça, aconselhou dar uma iluminada nas pontas, jogar o cabelo para o alto. Desde então, só cuido do meu cabelo com ela. É a Melissa que pinta, corta, faz tudo. Agora o segredo da mulher cacheada é cortar o cabelo seco. Não pode cortar o cabelo molhado. Se você molhar e cortar, por menos que você tire, ele vai encolher.

Mas tem algum produto específico que você passa no cabelo para dar volume?

Um produto específico não tem. Estou sempre experimentando coisas novas. Nesse momento, estou usando uma linha de produtos que eu descobri, mas não é nada de tão diferente assim. O que eu aconselho sempre é passar um bom creme de pentear. Você pode não passar condicionador ou usar um shampoo qualquer, mas creme de pentear tem que ser bom e tem passar sempre.

Você se considera uma mulher vaidosa?

Nada. Dentro de casa, sou aquela que passa o dia com uma blusa que a gente ganha em época de eleição. Ia levar o Arthur na creche de pijama. A roupa que eu faço faxina em casa é a roupa que uso para ir à academia. Depois do “Vídeo Show”, passei a andar um pouco mais arrumadinha porque o público espera me encontrar daquele jeito fora da televisão e eu tento não decepcioná-lo. Mas sou muito básica. Adoro chinelo.

Já recebeu algum convite para posar nua?

Nunca recebi.

Mas você posaria?

Não sei. Acho que não. Meu pai não ia gostar de ver filha dele nua na banca de jornal.

Mas agora não precisa mostrar tudo. Na “Playboy”, por exemplo, você escolhe o que quer mostrar…

Não sei. Nunca pensei nisso.

Nos últimos meses, as personalidades negras da TV foram vítimas de ataques racistas pela internet. Você já foi vítima de racismo?

Já vivenciei um milhão de vezes em vários lugares. Não gosto muito de falar desse assunto porque, toda vez que se toca nessa questão, as pessoas acham que estou querendo me colocar de vítima. Queria deixar claro que eu não me sinto vítima e minha vingança aos racistas é brilhar. A minha resposta é o meu trabalho. A raiva é um veneno que a gente come e espera o outro morrer. Não vou provar desse veneno. Fica o preconceituoso e o racista com raiva dele. Não vou me deixar atingir. Meu troco é meu brilho. E se reclamar brilho mais .

Você mudou seu nome por causa da numerologia. Surtiu efeito?

Muito. Eu estava no “Encontro” quando chamaram um numerólogo para eu entrevistar. Ele pediu para fazer minha numerologia, mas não gosto muito dessas coisas de saber o futuro. Aí ele só me mapeou, disse coisas ao meu respeito que me deixaram perplexa e me aconselhou a acrescentar uma letra no nome. Ele explicou que Aline Prado dava um número 10 e que, na numerologia, esse número me jogava para baixo. Pediu para acrescentar um “n” ou um “l” para formar 11, número da comunicação. Topei a ideia e as coisas começaram a fluir.

Como você se imagina daqui a cinco anos?

Feliz. Não tenho vocação para tristeza. Agora, profissionalmente, não faço ideia. É uma pergunta muito difícil. Consigo ter desejos. Tenho os meus desejos, mas a vida é maior que a gente.

Mas aquela correspondente na Alemanha ainda está aí dentro?

Ela não existe mais.



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