Filho de Roberto Ribeiro grava versão de “Todo Menino é um Rei”, mas dispensa comparações com o pai: “Ele é único”


  • © Cláudio Sobreira
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Um dos maiores sucessos do samba no fim da década de 1970, “Todo Menino É Um Rei”, originalmente cantado por Roberto Ribeiro, foi regravado por Alex Ribeiro, filho do artista, e ganhou um videoclipe, na última terça-feira (16). O trabalho, cujas filmagens aconteceram em um bar na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, faz parte de uma homenagem feita pelo cantor ao pai, que faleceu em 1996.

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Em conversa exclusiva com o Famosidades, Alex admitiu estar bastante confiante com o novo projeto. “A expectativa é muito grande. Todos que participaram também estão animados. Nelson Rufino, um dos autores e que é lá da Bahia, bota fé que a canção vai explodir novamente. Para a gravação vieram Djalminha, Junior [ex-jogadores de futebol], Joel Santana [técnico de futebol] e a Velha Guarda da Império Serrano. Muitas pessoas que foram amigos do meu pai também estavam lá. O clima foi o melhor possível.”

Já acerca das comparações com Roberto, o artista avaliou: “Eu tenho muito prazer e orgulho em ser filho dele. Foi um grande artista e um grande pai. Fico feliz quando chego aos lugares e dizem: ‘Esse é o filho do grande Roberto Ribeiro’. Nunca teve comparação porque ele é único. Nunca mais vai existir outro Roberto Ribeiro. E estou sendo bastante elogiado. Ser filho dele sempre me abriu portas, claro. Mas em nenhum momento isso me atrapalhou ou gerou algum tipo de pressão”.

Na próxima sexta-feira (26), Alex Ribeiro se apresenta no Cariocando Bar, no Rio de Janeiro, às 20h30.

Confira a íntegra da entrevista a seguir!

FAMOSIDADES – Como era a relação com seu pai? O que ele te ensinou sobre a música?

ALEX RIBEIRO – O meu pai sempre me passou muita verdade. Ele sempre foi muito verdadeiro e apaixonado pelo que fazia. Ele me passou isso de sempre levar muito amor ao público. Nunca falei com ele sobre ser cantor. Eu comecei a cantar em 2006, quando completou dez anos de sua morte. Eu cantei depois de uma pelada [jogo de futebol] do Arlindo Cruz. Zeca pagodinho, por exemplo, estava lá. Me pediram para cantar e cantei. 15 dias depois estava no SESC Pompéia com Ivone Lara. Foram dois shows. Um sexta-feira e outro sábado. Ambos com ingressos esgotados.

Seu mais recente disco é composto por trabalhos inéditos, mas também regravações, não é mesmo?

No meu novo CD foram sete regravações e mais sete inéditas. Das inéditas, duas são minhas. E com participações do Mestre Monarco, Wilson das Neves, Velha Guarda da Império, Sérgio Loroza, Nelson Rufino, etc.

Já está planejando um novo álbum?

Vamos lançar o vídeo de “Todo Menino é Um Rei”, mas estou pegando musicas inéditas, escrevendo algumas coisas. A ideia é lançar um novo disco até o fim do ano. E terão duas ou três regravações para homenagear meu pai. Mas meu cd [“Chegou Quem Faltava”] é novo. Saiu no início de 2015. Então, vou com calma. Se não for esse ano, será em 2017. De três em três meses também irei lançar alguma novidade no mercado.

Como você vê a indústria musical atualmente?

Tem muita covardia. Muita gente boa, da nova geração e que escreve bem, canta bem, não tem a oportunidade na mídia. Rádios e TVs. Você vê muita porcaria na mídia. Como tem também muita coisa boa de grandes artistas do passado e que agora não têm vez. Só consegue espaço se pagar para tocar na rádio e estar na televisão. É complicado. Mas tenho esperança porque tem muita gente boa surgindo.

Para você, o que justifica esse cenário?

O que eu penso é que dinheiro faz dinheiro. Chega um empresário e investe R$ 1 milhão em alguém sem talento. Essa pessoa explode nas rádios e na TV e o povo assimila. A mentira contada 20 vezes se torna verdade. O cachê que era de R$ 1 mil, depois do investimento passa para R$ 300 mil. Shows são agendados e, em 1 ano, o empresário recupera o dinheiro e vai dobrando esse dinheiro.

Como é sua relação com os fãs?

Sou muito fã dos meus fãs. Geralmente viro amigo deles. Tenho fãs que viraram amigos em São Paulo, no Rio, em Natal, Barcelona… O cara paga R$ 30, por exemplo, para me ver cantar. Ele merece meu carinho. Eu saio do palco, dou um abraço, porque meus fãs merecem. Sou artista porque trabalho com arte. Quando estou fazendo show, quem pagou e está ali é igual a mim.

Crê que se faz necessário dar mais destaque novamente para o samba, a música de raiz?

Isso é o que tenho escutado dos músicos mais velhos no Rio de Janeiro. Estão confiando no meu trabalho. Faço samba de raiz mesmo. Gosto de cantar samba. Não vou sair dessa linha. Prefiro parar de cantar do que simplesmente colocar algo no cabelo e começar a dançar e rebolar. Quem compra meu cd irá escutar samba.

Samba e pagode se complementam ou não?

O pagode está ajudando o samba. Algo que ninguém fala é que o samba esteve em baixa na metade dos anos 1990 e quem segurou a barra foi o pagode, com o Katinguelê, por exemplo. Pagode é uma reunião de sambistas: cerveja, carne e todos batendo na palma da mão. Tudo é samba, mas cantam com estilo mais romântico. Só que rotularam os pagodeiros pelos brincos e a calça colada. Mas pagode é samba.

Na era dos realities de música, você vê esse tipo de programa como algo que pode ajudar o mundo musical?

Particularmente, não gosto. Porque o que é bom para mim, pode não ser bom para você. Muitas vezes o que julgam ser uma boa cantora, para o outro não é. [As atrações musicais] tinham que ser como antigamente, como o programa do Chacrinha. Se tem talento, que as portas sejam abertas e que tenham espaço. Eu não sou a favor, mas tem gente que é. Mas não sou dono da verdade. Eu gostaria que abrissem as portas para 100 pessoas irem lá e mostrarem o talento. Isso de competição, mesmo a pessoa com talento, pode não estar preparada e não conseguir fazer uma boa apresentação. Eu via chacrinha. E cada semana dez pessoas iam ao programa cantar. Infelizmente, é complicado ir contra o sistema. Mas a arte não se julga.



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