Fernanda Lima faz pedido emocionante ao pai internado: “Reage”


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Fernanda Lima publicou um depoimento emocionante em sua rede social nesta quinta-feira (30) para falar sobre o estado de saúde de seu pai, Cleomar Lima, que está hospitalizado com a Covid-19. A apresentadora pediu para o pai reagir e ressaltou a importância da quarentena em momento de pandemia.





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“Já tem quase 30 dias que falamos pela última vez. Ele isolado num quarto de hospital com Covid-19. Parecia sereno, ainda assim senti um certo medo no fundo de seu olhar, embora ele disfarçasse para eu não perceber. Eu na rede com a Maria. Ele olhava a netinha e comentava a alegria de termos um novo bebê na família. Me disse que comprou o presente de aniversário dos guris… que logo que estivesse bem, viria trazer pessoalmente e que não deu tempo de escrever o cartão pra eles. Reage, pai… falou que assim que chegasse em São Paulo iríamos novamente passar uma madrugada no mercado Ceagesp, como fizemos quando eu estava grávida, quase parindo e ele não me deixou ir sozinha. Enquanto eu comprava plantas e terra, ele sentado junto aos carregadores em seus carrinhos perguntava sobre como era o cotidiano de suas vidas. Sempre curioso e empático. Volta e meia me chamava pra provar uma cocada ou um caldo de cana… e me chamava do mesmo jeito de sempre… ‘Naninhaaaa’, eu ouvia a distância aquela voz animada. Reage, pai…”, escreveu.

“Ele sempre gritou com alegria quando avistava um amigo de longe. Eu me escondia de vergonha, mas ele não tava nem aí. Nenhum encontro passava em branco. Reage, pai… Meu pai e essa vontade de viver, esse jeito intenso e alegre de passear pela vida, seus planos feitos com um ano de antecedência. ‘Todas as datas justificam celebração’, minha filha. Dias antes de ir para o hospital já rabiscava uma lista de convidados do próximo aniversário, em fevereiro de 2021… Nunca vi alguém assim, tão feliz e contente, sempre pronto pra um abraço um beijo ou mesmo um forte aperto de mão, sempre olhando nos olhos, com carinho e muita ironia. Reage, pai… e os aniversários? Sagrados. Queria sempre celebrar junto, mas se não dava, era o primeiro a ligar, a meia-noite em ponto. Não só para a família, mas para os amigos, não só os dele mas os meus. Ele parecia mais amigo dos meus amigos do que eu… enquanto eu sempre preferi ficar mais perto dos mais velhos, da paz e da calmaria, ele prefere os jovens, a novidade, a bagunça, o barulho e a confusão. Reage, pai…”, ressaltou.



“Coruja, cada vez que chega na minha casa, além de muito pinhão na mala, pra alegrar meu paladar, vem com um bolinho de fotos pedindo para eu escrever uma coisa bonita para alguém que ele conheceu em algum cantinho do Brasil que disse à ele gostar do meu trabalho. Quer afagar, agradar, fazer rir e chorar de emoção… quer todos os sentimentos sempre vivos e pulsantes… sempre. Reage, pai… No último pôr do sol que vimos juntos ele olhava a bola de fogo e dizia: o que a gente pode querer mais da vida minha filha? Reage, pai… Ainda tá fresco na minha memória o olhar dele pra Maria recém-nascida. Eu sentia naquele olhar que ele revivia o meu nascimento. Ele sempre me diz o quanto eu fui desejada e bem-vinda. Obrigada, pai. Suas palavras fizeram e fazem toda a diferença. Reage pai… Quando eu era criança, me jogava na água ainda pequenina, sem boias, para aprender a bater pernas e braços sozinha. Aprendi e a partir daí meu lugar preferido é dentro d’água. Medrou quando eu fui chamada a virar modelo e viajar o mundo, mas me deixou voar por confiar na criação que me deu. Enquanto isso, me escrevia cartas para solidão não me entristecer. Na época, eu esperava oito dias para uma carta dele chegar do Brasil ao Japão. Todas datilografadas naquela máquina que ele insistiu que eu aprendesse a bater. Nas rápidas ligações dizia como um mantra: ‘mantenha os pés no chão, minha filha’. Reage, pai…”, relembrou.



“E para testar minha coragem e capacidade de independência na cidade de São Paulo, me colocou no volante de um Fiat Uno (eu nunca tinha dirigido em viagens longas) sentou do meu lado e lá fomos nós de Porto Alegre até SP, 18 horas de muita conversa. Reage, pai, reage por favor… tu me fez coragem, tu me fez valente e destemida… agora coloca em prática tudo que me ensinou… escrevo essa linhas para fazer uma homenagem ao meu careca e principalmente para compartilhar com as pessoas a difícil realidade de ter um familiar doente… porque mesmo o meu pai tendo condição de ter atendimento particular, nem assim está conseguindo escapar da gravidade da doença. Reage, pai… Já sei que quando sair dessa, vai zoar: ‘nem o corona me derrubou’. Reage, meu ‘véio’ amado. Tá difícil, dói muito, passa um filme na cabeça… sentimentos de amor misturados com a dor de uma tragédia humanitária, regida por alguns com descaso e irresponsabilidade. Essa subnotificação de infectados que confunde o senso de direção da gente… ainda não consigo aceitar a teimosia e descrença dele na quarentena. Discutimos um pouco no telefone, mas ninguém segurava ele, que subestimou a gravidade da situação e contraiu o vírus que o colocou nessa situação… reage, pai. Te amo”, finalizou.