Manoel Carlos sobre pandemia: “Medo que nunca havia sentido”


© Stefano Martini


Um dos autores de novelas mais renomados do Brasil, Manoel Carlos, de 88 anos, está isolado há um ano em casa por conta da pandemia do novo coronavírus. Maneco, como é conhecido no meio artístico, é responsável por diversas obras de sucesso na TV Globo, como “Mulheres Apaixonadas”, “Em Família”, “Viver a Vida”, “Por Amor”, “Laços de Família”, “História de Amor”, entre outras.





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“Confesso que a essa altura da vida, depois de ter atravessado tantos altos e baixos, com grandes sucessos na TV e perdas irreparáveis na vida pessoal, jamais imaginei que fosse experimentar um medo que nunca havia sentido antes. Pois a pandemia me trouxe um temor constante do desconhecido e me impôs uma rotina regrada e privada de gente ao redor”, contou em entrevista à Sofia Cerqueira, da Veja.

Maneco afirmou que, desde que a pandemia começou, não coloca os pés na rua. “Sigo à risca a cartilha antivírus. Fora a minha mulher (Elisabety, com quem está casado há 43 anos), todas as pessoas com quem precisei ter contato em casa neste período entraram totalmente cobertas: macacão esterilizado, proteção para o sapato, luva, máscara, face shield. A única exceção em meio ao exílio forçado aconteceu recentemente, quando chegou minha vez de ser vacinado e fui ao posto de saúde. Minha sensação e a dos outros que ali estavam era de ganhar a Copa do Mundo”, descreveu.

O novelista tem contrato com a Globo até o segundo semestre deste ano, mas continua escrevendo de forma livre para passar o tempo. “Embora duas novelas minhas estejam sendo reprisadas (‘Laços de Família’ e ‘Mulheres Apaixonadas’), não vou mais fazer o gênero. É preciso ser um atleta para aguentar a maratona de criar um folhetim. Superei essa fase, mas a cabeça segue a mil por hora e é aí que reside o combustível para enfrentar esses momentos praticamente sem contato humano”, revelou.



O autor disse que já esboça uma sequência para a minissérie “Presença de Anita” e um projeto que resgata o teleteatro. “Ainda estou debruçado sobre minha autobiografia, que mescla fatos marcantes dos meus 70 anos de TV, mesmo tempo em que o veículo está no ar no Brasil, e da minha trajetória pessoal. Não há como deixar de tocar na morte de três dos meus cinco filhos. É uma dor pungente, que não tem consolo e que me acompanha diariamente”, afirmou ele.



Maneco pontuou sobre a dificuldade de ficar longe dos filhos, netos e amigos e não ver a rua. “Particularmente me indigna o atraso na vacinação e o descaso de quem insiste em pôr tudo a perder promovendo festas, sem considerar o bem-estar coletivo. Aos 88 anos, é inevitável não me revoltar com o fato de o tempo que me resta estar sendo sugado por uma pandemia”, lamentou. “Quero de novo uma vida na qual possa fazer planos. Adoraria festejar o Natal, o réveillon e ter uma festa de aniversário cercado de minhas filhas, meus netos e de bons amigos”, desabafou.